Importadora e distribuidora MDE assume marca Sharp no Brasil
por Haline Mayra*
31/07/2007
Empresa do grupo japonês Mitsui fala sobre planos de canais e de produção local de equipamentos da fabricante no País
A marca japonesa Sharp está de volta ao Brasil. Desta vez, a fabricante de eletroeletrônicos terá suas operações locais comandadas pela recém-nascida MBK Distribuidora de Produtos Eletrônicos, Ltda., uma empresa criada pela japonesa Mitsui & Co Ltda. (80%) e pela Mitsui Brasileira Importação e Exportação S.A. (20%), que se dedicará exclusivamente à importação e distribuição oficiais da marca no País.
A nova companhia foi apelidada de MDE, uma vez que seu nome oficial – MBK – também é utilizado como abreviação do nome do grupo Mitsui em japonês, segundo revela Kenji Miura, o coordenador sênior do projeto de abertura da MDE no Brasil e futuro presidente da organização.
Com falência decretada no Brasil em 2002, a Sharp selou acordo de distribuição com a Plena Comercial Atacadista no final de 2004, substituído pela aliança atual com a Gomaq.
O grupo Mitsui está presente em 69 países e é especializado na importação e exportação de produtos de diversas naturezas, como metais e minerais; energia; alimentação; têxtil; mercado financeiro; e logística, entre outros. No último ano fiscal, encerrado em abril de 2007, o conglomerado faturou 4,9 trilhões de ienes, o equivalente a US$ 40,8 bilhões, com crescimento de 18,6% sobre o período anterior.
A seguir, Kenji Miura explica, em entrevista exclusiva ao ResellerWeb, como a MDE planeja investir seu orçamento de R$ 30 milhões no País, para alcançar faturamento de US$ 420 milhões, até 2010.
ResellerWeb: O que motivou o grupo a criar a MDE no Brasil?
Kenji Miura: A entrada da TV digital no País – inclusive com o padrão japonês – mostrou um grande potencial de negócios. Além disso, o mercado empresarial também concentra fortes oportunidades. Como a expertise da Mitsui não contempla esse tipo de negócio, abrimos uma companhia para se dedicar inteiramente à venda de produtos eletrônicos da Sharp para consumidores domésticos e empresariais.
RW: Como começou o relacionamento com a Sharp?
Miura: Em agosto, ou setembro do ano passado, propusemos a parceria à Sharp para vir ao Brasil, já que a marca já teve presença local e é bem vista no País. Agora, a partir de outubro, a MDE passa a ser a importadora e distribuidora da marca Sharp em território brasileiro e repassará os produtos para demais revendedores locais.
RW: Quais serão os produtos Sharp comercializados pela MDE no Brasil?
Miura: Entre as ofertas para consumidores domésticos, estão as TVs CRT e LCD, equipamentos de áudio e calculadoras. Já para o setor corporativo, serão importados aparelhos de fax, impressoras, copiadoras, multifuncionais e, no futuro, mais possibilidades serão exploradas.
RW: Há planos de produção local de equipamentos?
Miura: Na área de consumo, alguns produtos devem ser fabricados no Brasil a partir de acordos OEM com fabricantes da Zona Franca de Manaus (AM). A produção deve ter início entre o final deste ano e o início de 2008 e, no futuro, deve superar a importação, no caso de produtos para consumo pessoal.
RW: Como será composta a estrutura da MDE?
Miura: Inicialmente, há seis profissionais japoneses, inclusive eu, migrando para o Brasil, para criar a companhia. Mais para frente, ao longo do primeiro ano de vida, devemos contratar entre 20 e 30 colaboradores. Também está em fase de planejamento o local onde o escritório será instalado em São Paulo.
RW: Como fica o relacionamento com a distribuidora Gomaq, que, há pouco tempo, deu início à distribuição de produtos Sharp no Brasil
Miura: Quando a MDE se estabelecer no Brasil, a Gomaq, assim como outros parceiros, passará a comprar produtos Sharp da MDE, com quem todos os distribuidores e revendedores se relacionarão.
RW: E como será formada a rede nacional de distribuição Sharp?
Miura: Haverá categorias de parceiros, mas ainda estamos desenhando a política de relacionamento e contrataremos profissionais de vendas e marketing para consolidar o plano. Uma delas é chamada de Max VAR, na qual será incluída a Gomaq e a paranaense Almaq, por exemplo. As variações ocorrerão de acordo com o volume de compras, com o tamanho da empresa e alguns outros fatores. Serão cerca de 30 a 40 Max VARs nas principais localidades brasileiras. No total, a MDE deve contar com aproximadamente 300 parceiros aqui.
RW: Quais as metas de participação no mercado brasileiro?
Miura: As metas ainda estão em discussão, mas qualquer empresa desse porte deve ingressar em um novo território com objetivos agressivos, ou seja, no mínimo 20% a 30% do mercado. No caso das TVs LCD, a meta é chegar a 600 mil unidades até 2010.
* Haline Mayra é repórter do Reseller Web e da revista CRN
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